07
JUL
2020

Covid-19 x Odontologia

por Dr. Ernani Bezerra – secretário Geral da FNO

Em mais um episódio triste e épico na saúde/doença da civilização (peste negra, gripe espanhola, H1N1, etc.) convivemos agora com o novo coronavírus (Sars-CoV-2). Entre acertos e desacertos dos nossos governantes em âmbito mundial, até pela pouquíssima informação baseada em evidências científicas sobre o novo vírus (há falhas e controvérsias em métodos diagnósticos, tratamentos, transmissibilidade e aquisição de imunidade, entre outros), cabe aos Cirurgiões-Dentistas um papel cada vez mais importante para a promoção, preservação e recuperação da saúde. Com essa finalidade, é necessária a aplicação de conhecimentos de boas práticas de higiene bucal, no conceito de redução da contaminação da cavidade bucal. Para isso, cabe a cada um de nós aplicar o conceito de “Odontologia no Âmbito de Saúde Geral“, praticado com muita racionalidade e amor ao próximo, com aplicação dos conhecimentos técnicos e científicos para a orientação de higiene bucal adequada, uma vez que as portas de entrada da infecção pelo Sars-CoV-2 são o trato respiratório superior, a boca (dentes, gengiva, periodonto e língua), faringe (garganta) e pulmões, onde ocorrem os agravos.
A atuação do Cirurgião-Dentista na eliminação ou diminuição dos patógenos bucais pode prevenir efeitos sistêmicos como AVC, tromboembolismos (diminuindo o processo inflamatório em doenças bucais), diabetes (que diminui a resposta imune e sujeita o paciente a processos inflamatórios), pneumonias por aspiração, problemas com prematuridade em partos ou mesmo abortos. Para isso, concorrem os micro-organismos, os processos inflamatórios, a genética e o comportamento (tabagismo e etilismo).
Assim, deve-se combater os biofilmes que colonizam ecossistemas bucais, com maior ênfase para o dorso da língua, e também dentes, principalmente posteriores (e mais difíceis de higienizar), pois a pneumonia bacteriana muitas vezes é o resultado da aspiração da microbiota da orofaringe para o trato respiratório inferior, quando da má higiene bucal ou mesmo da falha dos mecanismos natos de defesa (Figura 1). Desta forma, devemos hierarquizar a higiene bucal e das escovas dentais/higienizadores linguais (Figuras 2 e 3):

  1. Higienização do dorso da língua (higienizador específico ou mesmo escova de cerdas macias).
  2. Uso correto e rotineiro do fio dental (antes da escovação com dentifrício).
  3. Escovação Dental com escova de cerdas macias.
  4. Uso de enxaguantes bucais (antissépticos bucais), se necessário (inclusive com gargarejo).
    Finalizando, devemos manter a calma, cuidar dos indivíduos mais vulneráveis, incluindo os idosos, e manter o harmonioso bem-estar físico, mental, social e espiritual, para juntos vencermos essa pandemia.
    “Enquanto a cura ou uma vacina são apenas projetos ainda intangíveis, a PREVENÇÃO é a arma mais eficaz para evitar o pior cenário!”